domingo, 21 de agosto de 2016

Refúgio dos Pecadores

Ó Maria Santíssima, que nunca negais a acolher um pecador, dai-me a graça de compreender que junto a Vós encontrarei o mais seguro e suave refúgio. Amém.
(Plinio Correa de Oliveira)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Aniversário de Nossa Senhora

Natividade de Nossa Senhora
8 de setembro

Considerações de Plinio Correa de Oliveira sobre o aniversário de Nossa Senhora, baseada na leitura de um trecho do livro Mística Cidade de Deus de Soror Maria de Ágreda.
Segundo Soror Maria de Ágreda, depois que Nosso Senhor subiu ao Céu e que Nossa Senhora ficou só na terra, Ela começou a organizar aos poucos a sua vida. Ela morou na cidade de Éfeso durante bastante tempo, com São João Evangelista. Momentos antes da morte, “ao ver Sua Mãe e junto dela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua mãe:” “Mulher, eis aí o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 26-27). A partir daquele momento, São João Evangelista aceitou-A como sua Mãe e tinha com Ela todas as atenções, todos os cuidados, etc., que Nosso Senhor teria. Quer dizer, ele era sumamente devoto a Nossa Senhora, sumamente bom para com Ela, atencioso, respeitoso, venerador.
Então, moravam juntos e Ela começou a organizar Sua vida cotidiana, já não mais participando da vida terrena de Nosso Senhor, gloriosamente encerrada com Sua Ascensão aos Céus, mas participando, pela lembrança e pela recordação, de tudo quanto tinha sido a vida de Nosso Senhor. Ela era uma tocha ardente de saudades, de adoração, de ação de graças, de reparação e de petição contínua a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, nesse organizar a vida dEla, com o correr do tempo Ela foi se lembrando das datas... Ela era concebida sem pecado original e tinha, portanto, a memória perfeitíssima, além do fato de ser, por Sua natureza, inteligentíssima, e além do fato de ser auxiliadíssima pela graça. Ela foi se lembrando das datas dos principais acontecimentos da vida dEla e de Seu Divino Filho.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fidelidade à luz da graça

Ó minha Mãe, Medianeira de todas as graças, na vossa luz veremos a luz! Mãe, antes ficar cego do que deixar de ver vossa luz, porque vê-la é viver. Na sua claridade contemplaremos todas as luzes; e sem ela, nenhuma luz refulge. Não considerarei vida os momentos em que ela não brilhar; e eu, da vida, não quererei ter mais nada do que a mente banhada por essa luz.
Ó luz, eu vos seguirei custe o que custar: pelos vales, montes, desertos e ilhas; pelas torturas, pelos abandonos e olvidos; pelas perseguições e tentações, pelos infortúnios, pelas alegrias e triunfos. Eu vos seguirei de tal maneira que, mesmo no fastígio da glória, não me incomodarei com ela, porque só me preocuparei convosco. Eu vos vi, e até o Céu não desejarei outra coisa, porque, uma vez, vos contemplei!

Plinio Correa de Oliveira – composto na década de 1970

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Sol do repouso e das longas meditações …

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora
E o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira assim se refere a Nossa Senhora, enquanto representada pela lua:
“O natal de Nosso Senhor Jesus Cristo representou uma honra incomparável para toda a humanidade. Guardadas as proporções, também o nascimento de Nossa Senhora conferiu particular nobreza ao gênero humano. Ela foi a criatura mais perfeita nascida até então, concebida sem pecado original, e à qual foi dada, desde o primeiro instante de seu ser, uma superabundância de graças. Compreende-se, pois, a afirmação de que Maria Santíssima está para Nosso Senhor, assim como a lua para o sol: Ela representa a suave e amena luminosidade da lua, e Ele, a onipotente e deslumbrante claridade do sol.
“Há, sem dúvida, imensa beleza no despontar do astro-rei. Contudo, em certas ocasiões, o aparecimento da lua tem também seu encanto, sua poesia e sua grandeza. E assim a natividade de Nossa Senhora foi, para toda a humanidade, como um magnifico nascer da lua: sol das sombras, sol do repouso, sol das longas meditações e das extensas digressões do espírito...” 
Lua que determina o movimento das misericórdias divinas
Concluímos com esta expressiva consideração do Pe. Rolland:
“Quando, numa noite calma e tranquila, levanto meus olhos para o firmamento e contemplo a lua, tão bela, tão suavemente luminosa, tão pacífica e tão recolhida, penso: Existe um astro que ilumina a noite das pobres almas que estão no pecado, e as convida ao recolhimento e à reflexão é Maria.

“Ela refulge no firmamento dos eleitos, de um brilho particular, mais luminoso que os Anjos e os Santos, refletindo perfeita e plenamente, sem nenhuma sombra, o Sol de Justiça, e determinando — como a lua o faz com o fluxo e o refluxo das marés — os dois movimentos que alegram o coração da Trindade e salvam as almas: o movimento das súplicas que sobem ao Céu, e o das misericórdias divinas que descem sobre a Terra” .
ROLLAND. La Reine du Paradis. 8. ed. Paris: Langres, 1910. Vol. I. p. 165.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Origem da invocação a Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Em 1863, estando em oração, o venerável Pe. Luís Eduardo viu uma quantidade enorme de demônios que, espalhados pelo mundo, causavam estragos medonhos por toda parte. Abismado, implorou o socorro da Santíssima Virgem, que lhe apareceu e disse:
— Meu filho, é hora de ser eu invocada como Rainha dos Anjos e de me pedir que mande minhas legiões santas de anjos celestes a combater e a derrubar essas potências do inferno que soltas andam pelo mundo.
E instruído pela Rainha dos Anjos, compôs o venerável esta oração: 
“Augusta Rainha dos Céus e soberana dos anjos, Vós que desde o primeiro instante de vossa existência recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vô-Lo pedimos: enviai as legiões celestes dos anjos a perseguirem por vosso poder, e sob as vossas ordens, os demônios, combatendo-os em toda parte, repreendendo-lhes a insolência e lançando-os nas profundezas do abismo.

Quem como Deus? Santos Anjos e Arcanjos defendei-nos e guardai-nos! Ó boa Mãe e tão terna, sede sempre o nosso amor e nossa esperança. Ó mãe divina, mandai-nos os vossos santos anjos que nos defendam e repilam para bem longe de nós o maldito demônio, nosso cruel inimigo. Amém”.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Luzeiro da Igreja

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora
Luzeiro menor no firmamento da Igreja
Com sábias e atraentes palavras, São Francisco de Sales nos recorda o papel de Nossa Senhora iluminando, qual lua bela, o firmamento da Igreja:
“No princípio pôs Deus dois luzeiros no céu: a um se chamou por excelência luzeiro maior, e ao outro, luzeiro menor. O maior para presidir e iluminar o dia; o menor para presidir e iluminar a noite. [...]
“E querendo este mesmo Deus, com sua alta providência, criar o mundo espiritual de sua Igreja, nesta pôs, como num firmamento divino, dois grandes astros: um maior e outro menor, O maior é Jesus Cristo, nosso Salvador e Mestre, abismo de luz, fonte de esplendor, sol divino de justiça; o menor, a Virgem Santíssima, Mãe deste soberano Filho, Mãe gloriosíssima, toda resplandecente e mais formosa que a lua.
“Este luzeiro maior, o Filho de Deus, baixando à Terra e tomando nossa humana natureza como sol sobre nosso hemisfério, fez a luz e o dia. Dia feliz, que durou trinta e três anos, durante os quais iluminou a terra da Igreja com os raios de seus milagres, exemplos, pregações e com sua santíssima palavra, principalmente nos três últimos anos.
Lua que brilhou na noite das perseguições
“Quando chegou a hora em que tão precioso Sol se devia ocultar para levar seus raios ao outro hemisfério da Igreja, que é o Céu, onde estão os exércitos angélicos, que se podia esperar senão as obscuridades de uma tenebrosa noite? Noite de tribulação que sucedeu ao dia, porque tantas aflições e perseguições como padeceram os Apóstolos, que foram senão tenebrosa noite?

“Porém, esta noite teve também seu luzeiro que a iluminou para que suas trevas fossem mais suportáveis, pela razão de ter ficado a Virgem Santíssima entre os fiéis discípulos; e disto não há dúvida alguma, porque São Lucas, no capítulo segundo dos Atos dos Apóstolos, refere que Nossa Senhora estava com OS discípulos no dia de Pentecostes, e com eles perseverava em oração. […] Era, [pois], necessário este luzeiro, para consolar os fiéis que viviam na noite das aflições” 1
1) SALES, Francisco de. Obras Selectas Madrid BAC, 1953. Vol. I. p. 472-473

sábado, 30 de julho de 2016

Qual lua ilumina

Continuação dos comentários ao Pequeno Ofício de Nossa Senhora
Lua que ilumina os pecadores
Outro devoto autor avança um pouco mais nos comentários sobre a relação entre Nossa Senhora e a lua: “Pode-se comparar Maria à lua no sentido de que Ela possui, em grau supremo, todas as virtudes morais de que a lua pode ser o símbolo.
“A lua brilha durante a noite, e esparge sua doce claridade sobre a Terra, para dissipar o horror das trevas que a esta envolvem. Assim também brilha Maria em meio às trevas, quando Ela faz chegar alguns raios da graça, certos favores divinos, até aos infelizes que vivem nas escuridões do pecado mortal, noite horrível, noite espantosa pelos perigos e ciladas de toda sorte que ela esconde aos olhos. Mas, a lua brilha: Maria obtém de Deus, para os desditosos pecadores, alguns raios de sua graça celeste, a fim de que eles não pereçam, mas retornem a Deus, o Sol de Justiça, do qual eles se apartaram. [...]
Lua que ameniza o ardor do Sol de Justiça
“Sabe-se que a lua exerce grande influência sobre a superfície do mundo. Os que cultivam a terra não fazem, por assim dizer, nada, sem considerar as várias fases da lua. Sem dúvida o sol possui mais virtude; entretanto, ao menos para diversas coisas, parece que a ação da lua se manifesta mais sensivelmente Sua influência é mais doce, mais benfazeja, e não tem os inconvenientes da do sol, cujo ardor consumiria tudo, se não fosse temperado pela noite. Esta sobrevém; a lua difunde sua doce claridade, as flores reerguem suas hastes meio amortecidas pelo calor do dia. Tudo revive. É a imagem de Maria.
“Deus fez dois grandes luzeiros, disse o Cardeal Hugo: um maior que é Cristo; o outro, menor, que é Maria». Cristo é o sol em torno do qual gravitam os planetas que d’Ele recebem brilho e virtude. Ele é a origem [...] de toda vida: é o Sol de Justiça, como O chama o Profeta Malaquias. E que há de espantoso se o sol queima? Se algumas vezes a justiça de Deus é um fogo devorador para aquele que peca? Oh! quantas vezes esse divino Sol teria reduzido a cinzas este mundo onde só existe malícia e pecado, se a lua, se Maria não se tivesse interposto! Certa feita teve São Domingos uma visão. A seus olhos apareceu o Supremo Juiz, encolerizado, pronto a destruir o mundo, por causa dos pecados dos homens. Eis, porém, que Maria se apresenta: Ela se prosterna aos pés de Deus, detém o castigo e alcança misericórdia.
“Temos, pois, razão de dizer com os Anjos, que Maria é bela como a lua. E não é tudo. [...] Se esta Virgem poderosa reluz como a lua para o pecador, ilumina suas trevas, aplaca a cólera de Deus, afasta de nós os males, obtém-nos mil favores por sua intercessão podemos bem nos alegrar, porque encontramos em Maria tudo o que há de bom para nós, tudo o que nos pode salvar”. 1
1 JOURDAIN, Z-C. Somme des Grandeurs de Marie. Paris: Hippolyte Waizer, 1900 Vol. V p. 564-565.